Se isto é um homem

Não será um exagero considerar «Se isto é um homem» um dos melhores livros jamais escritos. É um relato dolorosamente lúcido do holocausto que permite descortinar a essência do carácter humano, frequentemente oculto por uma máscara de convenções sociais. Em Auschwitz, Primo Levi deparou-se com homens de várias proveniências, classes sociais, profissões, países e línguas. Desprovidos de qualquer direito ou bem pessoal, descaracterizados e humilhados, sujeitos a condições infra-humanas que os colocavam no limite da sobrevivência, reduzidos a uma rotina de sofrimento constante. É uma situação extrema, quase laboratorial, em que o homem sem nome nem direitos assume o papel do rato de laboratório. Porque na realidade já não é uma pessoa, é um objeto descartável que não deixa rasto na memória de ninguém.

Ali se revela o que é inato e adquirido, o que é essencial e supérfluo. Ali se vislumbram as caraterísticas essenciais que distinguem quem sucumbe de quem sobrevive. Ali se compreende que ninguém pode verdadeiramente sobreviver àquele trágico acontecimento enquanto ser humano de pleno direito. A sua humanidade ficou para sempre maculada.

“As personagens destas páginas não são homens. A sua humanidade está sepultada, ou eles mesmos a sepultaram, debaixo da ofensa que sofreram ou que infligiram a outrem. Os SS maus e estúpidos, os kapos, os políticos, os criminosos, os proeminentes grandes e pequenos, até aos halftlinge indiferenciados e escravos, todos os degraus da insana hierarquia criada pelos Alemães, estão paradoxalmente unidos numa única desolação interior”.

Título: Se isto é um homem

Autor: Primo Levi

Editora: Editorial Teorema

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