O Terceiro Homem

«O terceiro homem» é uma obra que tem uma génese curiosa. Graham Greene escreveu esta novela com o propósito de a utilizar como base para o argumento de um filme que se veio a tornar uma referência da história do cinema. Dirigido por Carol Reed e com Orson Wells num dos principais papeis, esta obra-prima do filme negro foi recentemente restaurada e vai regressar este mês às salas de cinema.

Retrata o universo do mercado negro na Viena dividida e arruinada do pós Segunda Guerra Mundial, onde um escritor falhado e ingénuo vai reencontrar um amigo de infância, personagem implacável na prossecução dos seus fins, que não se detém perante dilemas morais ou afetivos. A genialidade da história reside na forma como esta personagem se adivinha sem se ver e consegue marcar presença sem estar fisicamente presente. É apresentada enquanto um pressentimento constante que dirige todo o enredo, como um maestro invisível. É ela quem determina o curso da narrativa, é à sua volta que as restantes personagens se movem, é por sua causa que se encontram e desencontram. Numa das cenas mais memoráveis de sempre acaba por finalmente fazer a sua aparição e desvendar a verdade do seu caráter, numa apoteose magnificamente conseguida. É do melhor que se pode encontrar no cinema e na literatura.

“Pela primeira vez, Rollo Martins relembrou o passado sem saudades nem admiração, dizendo de si para consigo: «Ele nunca chegou a ser completamente adulto». Os demónios de Marlow usavam petardos amarrados à cauda; o mal é como Peter Pan – possui o horripilante privilégio da juventude eterna”.

Título: O Terceiro Homem

Autor: Graham Greene

Editora: Livros do Brasil

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