O último espião

«O último espião» relata o assassinato de Alexander Litvinenko, ex-agente do KGB envenenado em 2006 com um agente radioativo introduzido numa bebida, num espaço público em Londres. A forma cruel como o crime foi cometido é chocante, já que implicou a utilização de uma substancia que condenou a vítima a um longo sofrimento, para além de ter representado um risco para qualquer pessoa que tenha entrado em contacto com o isótopo radioativo, desde os assassinos até aos passageiros que terão viajado com eles no mesmo avião ou que frequentaram o prestigiado hotel em que se deu o envenenamento. Outro aspeto surpreendente deste crime é a audácia de o levar a cabo num país estrangeiro, à vista de todos, com risco para os próprios cidadãos desse país.

Os supostos mentores do crime, apontados pelo autor, aquartelam-se no governo russo. São os «siloviki», ex-agentes dos «Ministérios da força», agências de informação e espionagem da antiga União Soviética e atual Rússia, nos quais o próprio Vladimir Putin se inclui. São homens que fizeram carreira em instituições totalitárias dentro de um regime totalitário, num totalitarismo ao quadrado difícil de compreender no contexto democrático. Movem-se num mundo aparte, com regras próprias e hierarquias bem definidas, ainda que nem sempre formalmente estabelecidas. A honra, a lealdade, o silêncio, a disciplina e a obediência, são os valores primordiais que os guiam. A traição não é tolerada e a punição é garantida.

“Mas a questão mais complicada era se a era de Putin, com as suas raízes no KGB, teria produzido uma cultura na Rússia que tornava estas mortes não só plausíveis como prováveis”.

Título: O último espião

Autor: Alan Cowell

Editora: Dom Quixote

Ano: 2010

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